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CORE: Conectando objetivos 4/6: Pré-contemplação e Contemplação – os primeiros estágios motivacionais

CORE: Conectando objetivos 4/6: Pré-contemplação e Contemplação – os primeiros estágios motivacionais

No artigo de hoje vamos abordar, com mais detalhes, os dois primeiros estágios motivacionais para mudança de comportamento. Esse é o ponto de partida para um novo estilo de vida. Acompanhe.


 

No terceiro texto da nossa campanha, falamos sobre os estágios motivacionais de Prochaska e DiClemente, e como esse modelo pode ser eficaz para mudar vícios e hábitos inadequados e conquistar mais qualidade de vida.

A Ludera, nossa empresa, se propõe a criar intervenções baseadas principalmente nos dois primeiros estágios, Pré-contemplativo e Contemplativo. E hoje, daremos enfoque a esses dois momentos do modelo de Prochaska.

Consideramos, ainda, que há uma fronteira entre os dois primeiros estágios e os três restantes (Preparação, Ação e Manutenção). É nesses dois momentos iniciais que trabalhamos as mudanças nos padrões de pensamento para, então, elaborar os planos de ação que vão promover melhorias no estilo de vida do colaborador.

Estágio 1: Pré-contemplação

No estágio inicial, ou seja, na fase pré-contemplativa, o indivíduo ainda não enxerga seu comportamento como um fator prejudicial. Então, a lógica é simples: sem problemas, sem necessidade de mudanças.

Na pré-contemplação, o indivíduo nem mesmo imagina a possibilidade de mudar seus hábitos, e ainda considera exagerado o posicionamento das outras pessoas em relação aos seus comportamentos.

Diante disso, a intervenção começa na investigação dos motivos que levam o indivíduo a permanecer nesse estágio. Nessa análise, é comum se deparar com:

  • Relutância: a falta de informação e o comodismo são os principais aspectos que delineiam a postura do pré-contemplador relutante. Isso significa que ele não está, de fato, consciente das consequências dos seus maus hábitos.
  • Rebeldia: no caso dos pré-contempladores rebeldes, existe a não aceitação da intervenção. Eles não querem receber instruções sobre suas próprias vidas e mantêm atitudes de hostilidade e resistência às mudanças.
  • Resignação: os resignados estão habituados à inércia, não têm energia e disposição para tomar atitudes que levem à mudança. São naturalmente pessimistas e não acreditam que terão sucesso se investirem em novas experiências.
  • Racionalização: os pré-contempladores que se apoiam na racionalização pensam que já sabem tudo sobre o seu problema. Eles têm todas as respostas para contradizer uma intervenção, e afirmam que possuem razões para manter seus comportamentos inalterados.

Cada um dos tipos de pré-contempladores acima precisa de abordagens e estratégias específicas para começar a modificar seus ângulos de visão. Falaremos das técnicas de abordagem daqui a pouco.

Estágio 2: Contemplação

A Contemplação é o momento de analisar os riscos e benefícios de uma mudança de vida, é o estágio em que o indivíduo está avaliando a possibilidade de adquirir novos hábitos, mas a ambivalência ainda é um fator que prepondera.

Nessa fase, as pessoas começam a avaliar seus padrões atuais de comportamento, e identificar a necessidade de assumir novas atitudes. Entretanto, apesar de ser um momento em que surge esperança e os novos pensamentos vão se alojando gradativamente, nesse estágio o indivíduo ainda espera ser convencido de que realmente precisa mudar.

No estágio contemplativo, as pessoas se tornam menos relutantes, rebeldes e resignadas (como vimos no tópico anterior), e dão mais abertura às novas informações e estratégias de intervenção.

Ainda assim, esse é apenas o início do processo. Essa fase também é caracterizada (com variações, de acordo com cada indivíduo) por uma longa espera até que a decisão de mudança se estabeleça com firmeza.

O fator tempo é um aspecto fundamental nas fases iniciais da mudança de comportamento, sobretudo no estágio de Contemplação. Para ter uma visão dos efeitos da mudança, é importante delimitar um tempo para colocar em prática o plano de ação.

Toda meta precisa de um prazo!

Por exemplo: “pretendo eliminar os fast foods e produtos ultraprocessados do meu cardápio e basear minha dieta em alimentos naturais nos próximos seis meses”.

Agora que já vimos os primeiros estágios motivacionais com mais detalhes, vamos às estratégias de intervenção.

Técnicas de abordagem para mudanças de comportamento

As técnicas de abordagem são utilizadas para se aproximar mais do cliente (colaborador ou paciente, de acordo com o contexto de aplicação) e suscitar novas visões e ações em relação aos seus comportamentos inadequados.

Entre as várias técnicas de abordagem existentes, algumas se baseiam no apelo ao medo, no apelo à informação e na comunicação persuasiva e efetiva. Esta última é especialmente eficaz nos primeiros estágios motivacionais.

A técnica de abordagem com respaldo na comunicação persuasiva e afetiva tem como objetivo atrair a atenção do cliente, compreendê-lo, recomendar ações específicas e incentivá-lo a novos comportamentos.

Para escolher a abordagem mais eficiente para cada caso, é importante saber em qual fase o cliente está, e identificar as particularidades do seu perfil.

Por exemplo, no primeiro estágio vimos que existem diferentes tipos de pré-contempladores, portanto, para cada um deles existe uma intervenção adequada:

  • O pré-contemplador relutante precisa de uma abordagem empática;
  • O rebelde deve ser abordado de forma sutil e gradual;
  • Para lidar com o pré-contemplador resignado é necessário explorar suas barreiras;
  • Com o racionalizador, a sessão se transforma em debate. É importante ter escuta reflexiva e empatia.

Já no estágio Contemplativo, as estratégias de abordagem devem incluir:

  • Informações claras e objetivas;
  • Orientação para as mudanças;
  • Incentivo à compreensão dos riscos do comportamento atual;
  • Construção de autoconfiança;
  • Conscientização sobre os efeitos positivos da mudança;
  • Superação da ambivalência.

Ao falar de técnicas de abordagem, não podemos deixar de mencionar um instrumento chave no processo de motivação e mudança de comportamento: a Entrevista Motivacional.

Esse modelo de intervenção foi criado pelo psicólogo americano William Miller, e alicerçado em outras abordagens terapêuticas.

Os cinco pilares da Entrevista Motivacional são: expressar empatia, desenvolver discrepância, evitar discussões, lidar com a resistência e estimular a autoeficácia.

A eficácia do modelo transteórico

O modelo transteórico, ou seja, o modelo de estágios motivacionais para mudança de comportamento, tem sido apontado como ferramenta de alta eficácia para a modificação de hábitos nocivos. Isso porque, as transformações ocorrem em etapas, e são refletidas não apenas nos padrões comportamentais, mas principalmente nos padrões de pensamento.

Veja um exemplo encontrado no artigo “Abordagem do modelo transteórico no comportamento alimentar”:

“De Graaf et al. avaliaram as principais influências na escolha alimentar entre consumidores da União Europeia e observaram que os indivíduos no estágio de pré–contemplação consideravam o sabor dos alimentos como o fator mais importante, enquanto que no estágio de manutenção os indivíduos consideravam a saúde como fator principal. Isso sugere que aqueles em pré–contemplação podem ser beneficiados principalmente com mensagens educativas que demonstrem a importância de uma dieta saudável; já para as pessoas no estágio de manutenção, a estratégia pode ser o fornecimento de informações mais detalhadas e práticas, como receitas saudáveis e conhecimentos específicos sobre nutrição.”

Hoje demos enfoque aos dois primeiros estágios motivacionais do modelo transteórico, Pré-contemplativo e Contemplativo. No próximo texto da campanha CORE: Conectando Objetivos, continuaremos com os três estágios seguintes da mudança de comportamento: Preparação, Ação e Manutenção.

Aguarde nosso próximo artigo. Enquanto isso deixe seu comentário aqui.

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