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CORE: Conectando objetivos 1/6 – O colaborador como indivíduo

CORE: Conectando objetivos 1/6 – O colaborador como indivíduo

Essa postagem é parte de uma série chamada “Core: Conectando Objetivos”, onde alguns especialistas de diferentes áreas compartilham suas visões sobre qualidade de vida a partir do ambiente corporativo. Para ver a série completa acompanhe em nossas redes sociais.


 

São Paulo, 2017 - O momento da história em que vivemos já recebeu vários nomes. Entre os nomes que ouvimos são “idade contemporânea”, “a era da informação” (Peter Ducker) ou “modernidade líquida” (Zygmunt Bauman). Talvez as marcas mais evidentes desse período sejam as mudanças, a rapidez com que elas acontecem e o abismo que existe entre aqueles que as acompanham e aqueles que a elas resistem.

Especialmente no Brasil, onde o desenvolvimento econômico é tardio, esse abismo é evidente quando observamos a herança que a nossa industrialização da 2a metade do século XX deixou para a cultura corporativa hoje praticada nas empresas.

A cultura organizacional hoje praticada nas empresas sofre influência inevitável das teorias Clássica e Científica, entre outras teorias de administração. Com raras exceções, a grande maioria delas tem como objetivo a produtividade e a eficiência acima de qualquer coisa. Seguindo a mesma proporção, eram raras as empresas que enxergavam no funcionário algo além de um número.

Só que essa proporção começa a se inverter. Nos últimos 15 anos um número crescente de empresas vem tentando incrementar a experiência do funcionário buscando ainda a produtividade e eficiência mas tendo a pessoa do colaborador como eixo desse movimento. Quem não se lembra daquele e-mail com fotos dos ambientes de trabalho da Google?

Daí por diante, a “desruptividade” virou tendência e um número crescente de empresas nas principais capitais brasileiras passaram a estabelecer convênios e parcerias com fornecedores de atividades que podem ser praticadas por qualquer funcionário. “Corridas corporativas”. “Emagrecimento consciente”. “Coaching coletivo”.

Qualquer funcionário pode participar. Mas será que TODOS querem participar?

Para quem já pratica exercícios regularmente, é uma ótima iniciativa. Mas e para aqueles que nunca conseguiram ficar mais de 2 meses em uma academia? Quantos deles têm sobrepeso? Ou possuem doenças físicas estruturais ou cardiovasculares e por isso têm medo de piorar sua situação? E quantos desses sofrem depressão ou têm aversão à qualquer atividade em público?

Você consegue ver o padrão? Benefícios sob a lógica de teorias antigas, que enxergam o colaborador apenas como um número, no fim podem atacar o clima organizacional. A impressão que fica é que a empresa fornece apenas um mimo em troca de comprometimento, e que o funcionário que “malha” e “trabalha muito” é o modelo pretendido pela organização.

É preciso enxergar o colaborador como ele realmente é: alguém que possui uma vida com várias áreas, da qual seu trabalho é apenas uma parte.

O médico do esporte Dr. Luiz Riani sugere um paralelo com o corpo humano em que um dos primeiros passos é combater a ideia de um modelo a ser seguido: “A evolução do conhecimento científico nos permitiu desvendar o fantástico universo por trás da nossa fisiologia e anatomia. Por isso hoje é possível adotar terapias específicas para as mais diversas doenças, mas principalmente é possível evoluir pessoalmente dentro de nossas especificidades.”.

Assim como cada pessoa tem um corpo único, com suas próprias dimensões, peso e características, nosso perfil comportamental e psicológicos também são únicos. É por isso que dois colaboradores reagem de formas completamente diferentes diante de um mesmo desafio, seja no ambiente empresarial ou seja numa pista de corrida.

Trazendo a ideia de engajamento para o cenário das atividades físicas, veja o que o Dr. Riani sugere como plano para mudança de comportamento:

Conhecendo o próprio corpo

“Uma investigação mais detalhada prevê a utilização de métodos objetivos de avaliação física, antropométrica, fisiológica, anatômica e funcional. Algumas variáveis com que devemos ter mais cuidado são:

  • batimento cardíaco e padrão respiratório;
  • peso, estatura e composição corporal;
  • pressão arterial;
  • qualidade e quantidade do sono;
  • capacidade de realizar esforços físicos;
  • exames laboratoriais (amostras de sangue e urina, biópsias, radiografias, etc);

A interpretação conjunta de todos esses dados nos permite criar um ‘eu’ real e um ‘eu’ ideal, que devem ser continuamente monitorados, direcionando as melhores estratégias a serem utilizadas por cada um na busca de sua evolução pessoal, além de corrigir o processo durante sua própria execução.”

Transformando o seu corpo

“Dentre algumas estratégias, podemos destacar:

  • definir o peso ideal e ser alcançado;
  • selecionar os alimentos mais indicados e daqueles que devem ser evitados;
  • escolher dos melhores tipos e intensidades de exercícios;
  • estabelecer os parâmetros ideais de repouso;
  • elaborar de um cronograma de atividades com períodos de recuperação e fases de progressão;
  • praticar as atividades em grupo (amigos, família ou colegas de trabalho)”.

Se você é um líder, é bem provável que você já tenha usado alguns fundamentos do plano do Dr. Riani para resolver problemas críticos na sua própria rotina de trabalho. Isso porque eles são parte de um método de mudança de comportamento do qual falaremos detalhadamente nas próximas postagens.

Por hora, o importante é saber que as áreas de nossas vidas podem influenciar umas às outras, tanto para o bem quanto para o mal. Quem de nós nunca trabalhou cansado num dia seguinte a uma noite de visitas a um familiar hospitalizado? Ou nunca nos desconcentramos depois de um aviso do banco sobre nossa conta corrente?

Mas, se o ambiente de trabalho é influenciado, ele também pode influenciar. Assim, você como líder pode ser o ponto de virada não só na performance do seu colaborador, mas na vida dele de forma geral e consequentemente na trajetória de sua empresa.

Na próxima postagem nó conheceremos essas áreas, entenderemos como elas se relacionam, desconstruiremos os problemas que elas apresentam no dia a dia do colaborador. Fique ligado!

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