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Planejando atividades e organizando espaços internos: o programa de necessidades

Planejando atividades e organizando espaços internos: o programa de necessidades

No texto anterior, fizemos uma breve introdução sobre o conceito de “humanização nos espaços corporativos”, e sua crescente importância nas empresas contemporâneas, visando uma melhoria no bem-estar e no desempenho de seus colaboradores.

Como abordamos, para que o layout, ou seja, o projeto interno do espaço, seja adequado à cultura da empresa, é preciso alinhar os valores e a missão (ou seja, os propósitos coletivos) com as particularidades e necessidades dos recursos humanos (ou seja, a valorização do indivíduo). Para tanto, é recomendado que os gestores se mantenham atualizados sobre as melhores práticas para um bom relacionamento com os colaboradores:

“ […] a delimitação dos espaços em uma edificação […] é resultado de uma ‘ação conjunta’, que exige a participação e a responsabilidade de cada membro da equipe de trabalho. ” (CARVALHO apud SILVA, 2018)

Considerando tais quesitos, o processo para definir os ambientes internos passa por 3 ações essenciais:

1º Definir quais serão as Atividades a serem desenvolvidas na empresa;

2º Estabelecer o Programa de Necessidades para o projeto;

Setorizar os ambientes propostos, por meio de um Fluxograma das Atividades;

DEFININDO AS ATIVIDADES DA EMPRESA:

Existe um leque enorme de atividades e funções que são consideradas nas mais diversas tipologias de projeto arquitetônico. No âmbito corporativo, existem algumas mais frequentes, e outras que foram adaptadas de acordo com as condições humanas dos tempos atuais. Vejamos quais são:

– Atividades laborais: São aquelas caracterizadas de acordo com os serviços prestados pela empresa, ou seja, os ofícios. Dependendo do tipo, essas atividades exigem mais ou menos esforço físico, e necessitam de um espaço projetado considerando fatores técnicos e legais (normatizados), bem como espaços destinados a atividades de apoio (como áreas de recuperação, descanso, alimentação, etc.);

– Atividades administrativas: São aquelas que possuem como função principal a gestão das demais atividades existentes na empresa. São predominantemente de caráter intelectual e normalmente divididas por setores, tais como RH (Recursos Humanos), financeiro, diretoria executiva, jurídico, etc.;

– Atividades esportivas: São aquelas destinadas à prática de esportes e exercícios corporais, tais como musculação, pilates, crossfit, entre outras. Apesar de ser uma atividade laboral para, por exemplo, uma academia de ginástica, muitas empresas atualmente vêm considerando esse espaço no planejamento do layout como uma estratégia para incentivar o hábito e, assim, garantir a saúde da equipe, evitando despesas e prejuízos que funcionários com problemas de saúde eventualmente causam.

– Atividades lúdicas: São aquelas ligadas ao lazer, à distração e ao relaxamento, e nem sempre exigem algum esforço físico. Elas podem ter funções culturais (um espaço destinado a leitura, como uma biblioteca, ou um ateliê de artesanato e pintura, por exemplo), de entretenimento (uma sala de jogos), ou simplesmente para descanso e contemplação (como uma área para meditação, ou um jardim interno).

– Atividades de recuperação/tratamento: Algumas atividades laborais específicas exigem atividades complementares para garantir a saúde dos funcionários. Centros de treinamento esportivo para alta performance são exemplos clássicos dessa situação: em seu planejamento, sempre estão previstos espaços para a recuperação e o tratamento de atletas, como aqueles destinados às atividades de fisioterapia. Nas corporações, a enfermaria é um espaço característico deste tipo de atividade.

Vale lembrar que algumas das atividades descritas, especialmente as chamadas complementares, estão sob a égide de normas técnicas específicas; os gestores, juntamente com os responsáveis pelo projeto arquitetônico, devem consultar a legislação pertinente e averiguar as condições espaciais necessárias, afim de especificar adequadamente as atividades e, assim, conceber o Programa de Necessidades.

NOMEANDO OS AMBIENTES: CONCEPÇÃO DO PROGRAMA DE NECESSIDADES

O Programa de Necessidades (também conhecido como programa arquitetônico) nada mais é do que a proposta de ambientes/setores necessários para atingir os objetivos estabelecidos para o projeto. Sua definição está diretamente relacionada ao público-alvo que o projeto busca atender, considerando condicionantes espaciais (como a área disponível para a construção e adequação do layout) e condicionantes culturais (valores da empresa, por exemplo).

Além de considerar as atividades previstas na empresa, bem como suas características funcionais, um programa de necessidade eficiente deve considerar também:

– Número de usuários (fixos e temporários): é preciso fazer uma estimativa do número de pessoas que frequentarão o espaço;

– Circulação (fluxo) de pessoas, veículos e materiais, tanto no ambiente interno quanto no externo: para a elaboração do layout, é necessário prever espaços destinados exclusivamente à circulação, considerando inclusive as dimensões espaciais mínimas e máximas destinadas a cada tipo fluxo. Em alguns casos, é necessário consultar normas específicas;

– Instalações – mobiliários e equipamentos necessários para cada atividade: como dito anteriormente, cada tipo de atividade possui características peculiares e, portanto, exigem instalações específicas. Em alguns casos, tais equipamentos e mobiliários podem estar submetidos a uma legislação própria (normas técnicas específicas para sua concepção e locação). Neste caso, os gestores devem consultar o responsável pelo projeto arquitetônico e verificar as condições necessárias para tais instalações.

FLUXOGRAMA DAS ATIVIDADES: SETORIZANDO OS AMBIENTES

Definidos as atividades, o número de usuários, o tipo de circulação necessária e as instalações previstas, é preciso também pré-dimensionar e setorizar as funções no espaço construído. Uma boa estratégia para visualizar essa setorização é utilizar um Fluxograma, relacionando as atividades que serão principais e secundárias, aquelas que são complementares e as que são independentes.

 

Exemplo genérico de um fluxograma de atividades para uma edificação da área da saúde. Fonte: www.slideshare.com

Um planejamento conjunto, feito por gestores, colaboradores e profissionais capacitados para a concepção do layout interno, é fundamental para que se otimize o espaço construído, de maneira a garantir o bem-estar de todos os usuários. Além disso, questões de âmbito técnico, como a ergonomia do mobiliário e a climatização adequada do ambiente, são condicionantes fundamentais que devem ser consideradas em qualquer tipo de projeto. Nos próximos textos, daremos atenção especial a essas questões.

Até breve!


REFERÊNCIAS:

SILVA, Cristiane Neves da. Aspectos subjetivos dos ambientes de atenção à saúde e sua relação com o ambiente construído. Arquitextos, São Paulo, ano 18, n. 212.05, Vitruvius, jan. 2018. Disponível em: http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/18.212/6867

Camila Forcellini

A PROF.ª MS. ARQ.ª CAMILA D.S. FORCELLINI é arquiteta e membro da F.ACT.ORY Arquitetura e Produções.

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